O Paraná chegou ao limite do seu território. Não há mais mata a desbravar, nem um palmo de chão esperando o arado. E, mesmo assim, o campo paranaense nunca produziu tanto valor quanto em 2025.
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É esse paradoxo que o economista e professor Vander Piaia destaca ao analisar os números do Valor Bruto da Produção (VBP) do estado. Em 2025, o VBP paranaense chegou a R$ 212 bilhões. Um salto de 13% sobre o resultado de 2024, que já era recorde. Do total, 53% vêm da pecuária e 47% da agricultura.
Para Piaia, o número é mais do que uma estatística: é a prova de uma mudança de rota que se tornou obrigatória. "O Paraná não consegue mais crescer extensivamente, ou seja, não tem mais espaço, não tem mais território para ocupar novos nacos para produção", explica. Sem chão para se expandir, resta um único caminho: crescer para dentro da própria terra que já existe. "Você precisa crescer intensivamente, através de mais trabalho, mais tecnologia."
E é aí que a conta começa a surpreender. Piaia foi buscar, nos últimos seis anos, o que explica esse crescimento. Descontada a inflação acumulada no período, cerca de 40%. A alta no preço de commodities e a variação do dólar, a produção agropecuária do estado ainda assim mais que dobrou. Sobra, segundo o economista, uma fatia que nenhuma planilha de preços é capaz de explicar: metade de todo o resultado.
"Mesmo assim, você tem 50% de mérito exclusivamente do nosso produtor, que sabe trabalhar e que sabe, acima de tudo, ser resiliente", resume Piaia.
Traduzindo: a outra metade do crescimento não veio do mercado, veio da lavoura, do curral, de decisões de manejo, de investimento em tecnologia e da disposição de continuar produzindo mesmo nos anos mais difíceis.
É esse o retrato do novo motor do agro paranaense. Sem fronteira para abrir, a fronteira virou outra: tecnologia por hectare, mais eficiência por quilo de carne, por litro de leite, por saca colhida. O Paraná não tem mais para onde crescer no mapa, mas, ano após ano, segue provando que ainda tem para onde crescer no resultado.

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