A criatividade de cinco estudantes de Maripá ganhou espaço em um dos principais encontros de inovação da educação profissional do Paraná. Com uma proposta que une tecnologia, sustentabilidade e produção rural, alunas do Colégio Estadual Pio XII representam o município no 2º Desafio da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), conhecido como Hacktech, realizado de 4 a 6 de novembro, em Foz do Iguaçu.
O destaque da participação maripaense é o projeto HoneyTech – Colmeia Inteligente, uma solução tecnológica desenvolvida para facilitar o acompanhamento das condições internas das colmeias, permitindo que produtores monitorem informações importantes diretamente pelo celular, sem a necessidade de abrir constantemente as caixas.
Conforme release encaminhado pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Maripá, a iniciativa está entre os 32 projetos selecionados em um universo de mais de 1,7 mil inscrições nas etapas regionais do desafio. O evento reúne aproximadamente 300 participantes, entre estudantes de cursos técnicos e professores mentores de diferentes regiões do Paraná.
Cinco estudantes, uma ideia inovadora
Representam Maripá as estudantes Ana Lívia Catelan, Isabelly Maximino Gonçalves, Maria Luiza Lorenzini Munerato, Milena Eduarda Marlow e Natanaele Vargas Matias.
O desenvolvimento do projeto conta com a orientação das professoras Greici Marli Hardt Morgenstern, coordenadora de curso, e Lara Helena Casimiro, responsáveis por acompanhar as estudantes na construção e no aperfeiçoamento da proposta.
A participação no Hacktech coloca as alunas em contato com especialistas, novas tecnologias e experiências desenvolvidas por estudantes de diferentes municípios, ampliando as possibilidades de aprendizado e aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em sala de aula.
Tecnologia a serviço das abelhas
A HoneyTech nasceu de um desafio presente na rotina de quem trabalha com apicultura e meliponicultura: acompanhar o desenvolvimento das colônias sem provocar interferências frequentes no ambiente das abelhas.
Na prática, abrir repetidamente uma colmeia para verificar suas condições pode alterar o microambiente interno e perturbar a organização da colônia. Foi pensando nessa necessidade que as estudantes desenvolveram uma alternativa baseada em sensores e transmissão eletrônica de informações.
O primeiro protótipo foi construído para uma caixa de abelhas Jataí, espécie de abelha sem ferrão. O equipamento utiliza componentes eletrônicos capazes de medir três indicadores fundamentais: peso, temperatura e umidade interna.
Essas informações são transmitidas eletronicamente e podem ser acompanhadas pelo produtor por meio do celular. Assim, alterações nas condições da colmeia podem ser identificadas antecipadamente, auxiliando na decisão sobre o momento adequado para realizar uma inspeção presencial.
A proposta busca tornar o manejo mais eficiente, reduzir intervenções desnecessárias e oferecer informações que contribuam para o acompanhamento das colônias.
Da sala de aula para o futuro do campo
O projeto não se limita ao protótipo apresentado no evento. As estudantes também trabalham em possibilidades de aperfeiçoamento que poderão ampliar a aplicação da tecnologia nas propriedades rurais.
Entre as perspectivas estão o monitoramento simultâneo de várias colmeias, a integração de recursos de Internet das Coisas (IoT) e o armazenamento de informações históricas por meio de tecnologias associadas ao Big Data.
Outra possibilidade em estudo é utilizar a análise inteligente dos dados coletados para identificar padrões de comportamento das colônias e, futuramente, desenvolver ferramentas capazes de auxiliar em previsões de produtividade e condições de colheita.
Essas funcionalidades representam etapas futuras do projeto e ainda dependem de desenvolvimento e aperfeiçoamento tecnológico.
A iniciativa demonstra como problemas encontrados em atividades tradicionais do campo podem inspirar soluções desenvolvidas no ambiente escolar, aproximando a formação técnica das necessidades do setor produtivo.
Entre mais de 1,7 mil projetos
Promovido pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Hacktech busca estimular a criação de soluções inovadoras por estudantes da educação profissional e tecnológica.
A seleção de apenas 32 projetos entre mais de 1,7 mil iniciativas inscritas evidencia a concorrência enfrentada pelas equipes participantes e a relevância da classificação conquistada pelas estudantes de Maripá.
Durante os três dias de programação, os participantes têm acesso a oficinas, palestras, imersões tecnológicas e mentorias conduzidas por especialistas em empreendedorismo, tecnologia e inovação.
As atividades oferecem oportunidades para aprimorar os projetos, trocar experiências e desenvolver competências relacionadas à criatividade, ao trabalho em equipe e à resolução de problemas reais.
Educação que ultrapassa os muros da escola
Mais do que representar Maripá em uma competição estadual, a participação das cinco estudantes evidencia as possibilidades abertas pela educação profissional quando o conhecimento adquirido em sala de aula é transformado em uma solução prática.
A HoneyTech reúne conceitos de eletrônica, monitoramento remoto, análise de dados e produção sustentável em uma proposta voltada a uma atividade importante para o meio rural.
Para as estudantes, a experiência em Foz do Iguaçu representa uma oportunidade de ampliar conhecimentos, estabelecer contatos e aperfeiçoar uma ideia que poderá ganhar novas aplicações no futuro.
De uma sala de aula em Maripá para um evento estadual de inovação, a trajetória da HoneyTech mostra que grandes ideias também podem nascer de pequenos desafios do cotidiano. Ao unir juventude, educação e tecnologia, as alunas do Colégio Estadual Pio XII demonstram como a formação técnica pode contribuir para desenvolver soluções conectadas às necessidades da sociedade.


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