Quase três meses após o início das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, o cenário de incerteza que pairava sobre os mercados globais começa a desenhar contornos inesperados para a economia brasileira. Se no início do conflito a apreensão dominava as projeções, o desdobramento atual aponta para um impacto predominantemente positivo no país, impulsionado sobretudo pela valorização das commodities no mercado internacional.
Assista ao vídeo do economista:
De acordo com o economista Vander Piaia, o Brasil tem se beneficiado diretamente do aumento da demanda global por suas matérias-primas. No entanto, o grande motor desse otimismo econômico é o setor petrolífero.
"Agora já podemos ver com clareza: o impacto tem sido positivo", afirma o professor em análise recente. "Há um aumento da demanda global das nossas commodities, mas principalmente o petróleo."
Recordes de Produção e Receita Bilionária
O bom momento coincide com uma fase de expansão na capacidade extrativa do país. Atualmente, o Brasil consolida sua posição de destaque no cenário energético internacional, registrando sucessivas marcas históricas na retirada do recurso.
"Nós somos o sexto maior produtor mundial de petróleo cru e temos mantido sucessivos recordes de produção", destaca Piaia, apontando que o volume diário já ultrapassou a expressiva marca de 4,2 milhões de barris.
Essa combinação de alta produção com preços valorizados no mercado externo pode se traduzir em um fôlego financeiro monumental para o país. Caso as cotações internacionais do barril se mantenham nos patamares atuais, as projeções indicam que o Brasil pode arrecadar uma receita adicional de até 100 bilhões de dólares.
Equilíbrio Fiscal e Subsídios aos Combustíveis
Além do superávit comercial, o colchão financeiro provido pelo petróleo traz um alívio estratégico para a condução da política econômica interna. O montante extra deve dar sustentação às medidas governamentais de amortecimento dos preços dos combustíveis na bomba para o consumidor final, reduzindo o risco de um descontrole nas contas públicas.
"Isto dá uma tranquilidade ao governo, que já vem com uma política de subsídio aos combustíveis", explica o economista.
Piaia esclarece que o temor de um eventual "fiasco fiscal" decorrente desses subsídios é mitigado pela própria dinâmica de arrecadação do Estado. À medida que o preço da commodity sobe no exterior, o caixa do governo federal é automaticamente compensado por outras vias. "Assim que aumenta o preço do petróleo lá fora, também aumentam os royalties e os dividendos que [o governo] recebe. Então, isso compensa plenamente e sobra ainda muito dinheiro", conclui.
Diante de um panorama tão favorável para as contas nacionais, o economista finaliza com uma dose de ironia sobre o pragmatismo do mercado financeiro em Brasília: "Eu posso apostar que tem gente no Brasil fazendo figa para que o conflito não termine".

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