Professora Silvana Fuji e os alunos no local de leitura dos livros na Escola Glória de Mendonça, de Francisco Alves (PR)É uma condição bem diferente de pouco tempo atrás. No início de 2025, apenas quatro dos 15 alunos do 2º ano eram leitores iniciantes. Outros 11 eram pré-leitores. Inspirada pela metodologia do programa Cooperjovem, a professora Silvana Fuji estimulou os alunos do 4º ano a sonharem coletivamente uma solução. Do esforço conjunto nasceu a ideia de esses estudantes auxiliarem os colegas do 2º ano a aprenderem a ler. Daí surgiu o projeto “Entre páginas e sonhos”.
A ideia resultou na criação de um “cantinho da leitura” pelos próprios alunos. No gramado em frente ao prédio da escola, duas casinhas foram construídas para abrigar livros. Os alunos vão até elas, escolhem uma publicação, e sentam-se ao redor de pequenas mesas para a leitura. Ali, duas sibipirunas de troncos grossos parecem ter feito um acordo com os alunos. “Eu vos abrigo sob a minha sombra e vocês me dão a alegria espontânea que só as crianças têm.”
Nesse ambiente, a aluna Júlia Fuji orienta Caleb Braga Mançano na leitura de um livro com muitas ilustrações. O dedo indicador direito dela passa de palavra em palavra para que Caleb leia a história. Atenta, a menina de longos cabelos lisos mostra trejeitos de professora ensinando a pronúncia correta das palavras. Em pé, ao lado dos dois, a professora Silvana, também de cabelos que descem à linha da cintura, observa os alunos.
Não são apenas os cabelos e os trejeitos que unem professora e aluna. Elas são mãe e filha. Silvana conta que quando o projeto começou, os estudantes se entusiasmaram com a iniciativa. “Eles ficaram muito empolgados porque eles iam ser os professores dos mais novos”, explica.
O acerto da experiência apareceu na Avaliação de Fluência Leitora do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Ao final de 2025, dos 15 alunos avaliados, o número de alunos que não sabiam ler caiu de 11 para um, o de leitores iniciantes passou de quatro para seis e o de leitores fluentes passou de zero para oito. O bom resultado levou a direção da escola a levar a iniciativa para as demais turmas. “Os alunos que eram ajudados, depois que aprendiam, queriam ajudar os mais novos, O que deu certo precisa ter continuidade”, argumenta a diretora Rosângela Leite Delai.
O salto no desempenho dos estudantes da Escola Municipal Glória de Mendonça chamou a atenção da secretária de Educação do município, Ângela Cruz. “No início de 2025, o índice de fluência leitora da escola era muito baixo, mas terminamos o ano com 80% dos alunos fluentes”, conta. Com voz suave e tom diplomático, a secretária diz que o projeto abriu portas. “Passamos a ideia para as outras três escolas de ensino fundamental do município e as professoras gostaram, se empolgaram”, revela.
A aluna Júlia Fuji, com apenas 10 anos, já sabe apontar o efeito do projeto “Entre páginas e sonhos”. “A leitura deixou de ser individual, passou a ser cooperação, um exemplo”, avalia. A participação no projeto pode estar despertando uma vocação ao magistério. “Eu gosto de ler para os pequenos, parece que eu aprendo duas vezes”, afirma a estudante. Pelo visto, o projeto “Entre páginas e sonhos” pode estar fazendo surgir mais uma professora, alguém para ensinar a leitura a novas gerações de alunos.
COOPERJOVEM
O projeto “Entre páginas e sonhos”, da Escola Municipal Glória de Mendonça de Rio Bonito, interior de Francisco Alves, foi inscrito no Cooperjogo de 2025, uma das atividades do programa Cooperjovem, da C.Vale. O Cooperjogo é uma atividade composta de cinco etapas: preparar, explorar, sonhar, concretizar e comemorar. Já o Cooperjovem foi estruturado sobre quatro eixos: cooperativismo, empreendedorismo, educação financeira e meio ambiente. O propósito é desenvolver protagonistas de uma sociedade consciente, colaborativa e próspera.

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