Em um cenário global marcado por instabilidades econômicas, desigualdades sociais e desafios crescentes para a inclusão financeira, o cooperativismo volta ao centro do debate como modelo capaz de combinar desenvolvimento, participação e proximidade. É nesse contexto que o presidente da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, Jaime Basso, defende o papel das cooperativas como agentes concretos de transformação social e de construção de um ambiente mais pacífico, a partir da presença nas comunidades, do acesso ao crédito e da valorização das pessoas no centro das decisões.
A reflexão integra o editorial “As cooperativas e o compromisso com um mundo de paz”, publicado em alusão ao Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado neste ano em 4 de julho. Em 2026, a data ganha como tema global, definido pela Aliança Cooperativa Internacional, a proposta “Cooperativas por um mundo pacífico” — conceito que, segundo Basso, se traduz em ações práticas no cotidiano das regiões atendidas pela instituição.
Mais do que um discurso simbólico, a defesa do cooperativismo como instrumento de paz parte de uma leitura objetiva sobre o impacto da exclusão financeira na vida das famílias e das comunidades. Para Jaime Basso, garantir que a população tenha acesso a serviços financeiros básicos, crédito, poupança e orientação é também oferecer estabilidade, previsibilidade e condições mínimas para o planejamento da vida econômica.
Presença onde outros não chegam
Um dos pontos centrais do editorial está na capilaridade da cooperativa. Segundo o presidente, em 13 municípios da área de atuação da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, a instituição é a única financeiramente presente de forma física, o que, na prática, evita que moradores precisem percorrer longas distâncias para realizar operações bancárias simples ou buscar atendimento presencial.
A observação reforça um traço histórico do cooperativismo de crédito: chegar a localidades e públicos que, muitas vezes, não despertam o interesse de modelos tradicionais de negócio. Na avaliação de Basso, esse movimento vai além da lógica operacional e se conecta diretamente à dignidade das pessoas e à segurança econômica dos territórios.
Ao defender que a tranquilidade começa pelo acesso ao atendimento financeiro, o dirigente aproxima o debate cooperativista da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, que trata de paz, justiça e instituições eficazes. A leitura é clara: não há convivência verdadeiramente pacífica onde a exclusão econômica empurra famílias para a insegurança, para o improviso e para decisões tomadas sob pressão.
Paz também se constrói com acesso e participação
No entendimento de Jaime Basso, o cooperativismo de crédito se diferencia justamente por atuar na raiz dessas vulnerabilidades. Antes mesmo de sustentabilidade, ESG e impacto social se consolidarem como conceitos centrais no mundo corporativo, o modelo cooperativo já operava a partir de princípios de solidariedade, inclusão e desenvolvimento compartilhado.
Hoje, a Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP reúne mais de 293 mil associados e mantém uma estrutura com 101 agências, presença que se expandiu não apenas em cidades do interior, mas também em áreas menos centrais de grandes centros urbanos. O editorial cita como exemplo a recente abertura de 16 novas agências em bairros afastados do centro de São Paulo, incluindo Parelheiros, movimento que, segundo Basso, simboliza a decisão de ocupar espaços onde outros modelos de negócio frequentemente não consideram viável investir.
Essa presença territorial, no entanto, não se resume à abertura de unidades. O presidente enfatiza que o cooperativismo se sustenta em um modelo de governança em que o associado não é apenas cliente, mas dono do negócio. Em uma cooperativa, cada membro participa das assembleias e tem direito a um voto, independentemente do tamanho do patrimônio ou do volume de recursos que movimenta.
Na prática, isso significa que as decisões são tomadas por pessoas que vivem na mesma região, compartilham desafios semelhantes e possuem interesse direto no desenvolvimento local. Para Basso, esse espaço de escuta, deliberação e construção coletiva é, por si só, uma contribuição concreta à união das comunidades.
O relacionamento como base do desenvolvimento
Ao longo do editorial, Jaime Basso também chama atenção para um elemento frequentemente subestimado em um setor cada vez mais digitalizado: o valor do relacionamento. Na visão do dirigente, a paz social e econômica que o cooperativismo ajuda a construir passa por vínculos de confiança, simplicidade no atendimento e proximidade com a realidade de cada associado.
É nesse ponto que a lógica cooperativa busca se diferenciar do sistema financeiro convencional. Conhecer a história do associado, compreender seu contexto, atender com proximidade e oferecer soluções adequadas à realidade local deixam de ser apenas atributos de relacionamento e passam a compor uma estratégia de desenvolvimento regional.
Ao afirmar que a paz construída pelas cooperativas “tem endereço” e se materializa nos lugares onde as pessoas vivem, Basso reforça uma tese cada vez mais relevante para o debate sobre crédito e desenvolvimento: a de que inclusão financeira não pode ser medida apenas pelo acesso a produtos, mas também pela capacidade de gerar pertencimento, autonomia e estabilidade nas comunidades.
Um modelo que conecta crédito, cidadania e desenvolvimento
Com 37 anos de história, a Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP integra o sistema Sicredi, uma instituição financeira cooperativa com mais de 10,3 milhões de associados em todo o país e presença física em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Na área de atuação da cooperativa, a presença alcança 43 municípios do Paraná e 8 de São Paulo, incluindo a capital paulista e a região do Grande ABC.
No editorial, o presidente da cooperativa deixa claro que a defesa de um “mundo de paz” não se sustenta em abstrações, mas em escolhas concretas: manter agências onde outros fecham portas, levar crédito e orientação financeira a regiões menos atendidas, garantir voz ao associado e fortalecer comunidades por meio da participação econômica.
Ao relacionar cooperativismo, segurança econômica e pertencimento, Jaime Basso reposiciona o debate sobre o crédito para além da operação financeira. Em sua leitura, a construção de uma sociedade mais estável, justa e pacífica passa, inevitavelmente, por instituições que saibam combinar acesso, escuta, participação e compromisso com o território.
No universo do cooperativismo, essa visão se traduz em uma premissa simples, mas cada vez mais estratégica: quando as pessoas têm onde ser ouvidas, acesso a oportunidades e condições de decidir juntas o rumo do que também lhes pertence, o desenvolvimento deixa de ser apenas um indicador econômico e passa a ser um projeto coletivo.

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