Toledo, reconhecida como a Capital do Agronegócio do Paraná e prestes a receber também o título de Capital Nacional da Proteína Animal, vive um cenário de preocupação no campo. Produtores integrados das cadeias de suínos e aves têm relatado sucessivos atrasos na entrega de ração, situação que, segundo eles, compromete a alimentação dos animais, eleva os custos de produção e gera insegurança nas propriedades rurais. As reclamações foram divulgadas inicialmente pelo portal Viver Toledo.
De acordo com os relatos, os atrasos estariam ocorrendo no fornecimento de ração realizado pela MBRF, empresa que mantém em Toledo uma de suas maiores unidades industriais do país. Os produtores afirmam que o problema tem se repetido e pedem uma solução rápida para evitar prejuízos ainda maiores.
Um dos avicultores ouvidos pela reportagem, que preferiu não ter sua identidade revelada por receio de possíveis represálias, destacou que a alimentação dos animais é um dos pilares da produção. Segundo ele, o bem-estar animal deve começar pelo fornecimento regular de alimento, condição considerada essencial para manter a sanidade, o desempenho produtivo e o cumprimento dos protocolos exigidos pelo mercado.
Além dos impactos diretos nas granjas, produtores também demonstram preocupação com a comunicação entre a empresa e os integrados. Conforme os relatos, a relação institucional já foi mais próxima, enquanto atualmente muitos sentem falta de maior diálogo e de informações sobre as causas dos atrasos e as medidas adotadas para normalizar o abastecimento.
A preocupação ganha ainda mais relevância diante da importância econômica da atividade para Toledo. O município permanece na liderança do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná e registrou crescimento de aproximadamente 9,32%, passando de R$ 4,72 bilhões em 2024 para mais de R$ 5,16 bilhões em 2025.
Dentro desse cenário, a suinocultura continua sendo a principal atividade econômica do agronegócio local, respondendo por um VBP superior a R$ 1,62 bilhão. Já a avicultura de corte movimenta cerca de R$ 1,08 bilhão. Somados, os dois segmentos representam aproximadamente R$ 2,7 bilhões da economia agropecuária do município, evidenciando o peso estratégico dessas cadeias para Toledo, para o Oeste do Paraná e para toda a produção brasileira de proteína animal.
Enquanto aguardam um posicionamento e medidas que garantam a regularização das entregas, os produtores defendem que a previsibilidade no abastecimento de ração é indispensável para preservar o desempenho das granjas, assegurar o bem-estar dos animais e manter a competitividade de um dos mais importantes polos agroindustriais do país.

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