
Um levantamento recente revela uma mudança significativa na percepção dos brasileiros sobre o próprio bem-estar: 52% da população afirmam que a saúde mental é hoje sua principal preocupação. O dado representa um salto expressivo em comparação a 2018, quando apenas 18% dos entrevistados colocavam o equilíbrio emocional como prioridade.
O aumento da atenção ao tema acompanha um cenário preocupante. No ano passado, o Brasil registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais, alta de 67% em relação ao ano anterior e o maior índice da série histórica. Entre as causas mais frequentes estão ansiedade, burnout e depressão, condições que têm afetado trabalhadores submetidos a metas rígidas, longas jornadas e à cultura da disponibilidade permanente.
Para compreender os caminhos possíveis diante desse quadro, a equipe de redação do site Megazine News ouviu a psicóloga e especialista em comportamento humano Graciela Lopes. Ela afirma que a redução desses números depende de mudanças estruturais no ambiente corporativo. Segundo a especialista, é fundamental que empresas, organizações e cooperativas revisem com urgência seus modelos de gestão e a forma como o trabalho é organizado.

“Investir na saúde mental não significa apenas oferecer palestras ou atendimentos, mas sobretudo garantir ambientes onde a carga de trabalho seja realista, as metas sejam alcançáveis, a liderança seja qualificada e o respeito às pausas e limites seja uma diretriz institucional”, destaca Graciela.
Ela acrescenta que a redução de riscos psicossociais, como assédio moral, excesso de demandas, jornadas prolongadas e a cultura de disponibilidade constante, é hoje uma das estratégias mais eficazes para prevenir adoecimento, diminuir afastamentos e promover bem-estar genuíno no ambiente de trabalho.
O avanço dos indicadores reforça a necessidade de discutir rotinas mais saudáveis, modelos de gestão sustentáveis e políticas de cuidado que ultrapassem ações pontuais. A tendência crescente de adoecimento mental indica que o tema deve permanecer no centro das preocupações individuais e institucionais nos próximos anos.

