
Por Omar Godoy - 08/12/2024
José Dirceu está mais solto do que nunca. O ex-guerrilheiro andou meio na encolha desde que deixou a prisão definitivamente, em novembro de 2019. Mas no início deste ano, entrevistado pela CNN, avisou: “Vou passar a falar publicamente, participar do debate público”. Dito e feito. Desde então, Dirceu não para de aparecer em eventos, dar pitacos na imprensa e o principal: conquistar, como quem não quer nada, seu espaço no primeiro escalão do governo.
Não que ele tivesse deixado de operar nos bastidores. A diferença, agora, é que a velha raposa saiu da sombra. E vai trabalhar para a reeleição de Lula em 2026 — com direito até a um encontro, fora da agenda oficial, com o presidente no próprio Palácio do Planalto, antes do primeiro turno das eleições municipais.
Ao longo deste agitado “Ano Dirceu”, ele roubou a cena nos eventos de aniversário do MST (em janeiro), do PT (março) e do nonagenário ex-presidente José Sarney (abril). Na própria festa, em março, comemorou seus 78 anos ao lado de juízes, empresários, jornalistas e políticos de praticamente todos os partidos.
O banquete, financiado em Brasília por amigos advogados, ainda marcou uma das raras aparições públicas do ex-presidiário com a namorada — Danyelle Galvão, de 41 anos, juíza substituta do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, nomeada por Lula.
No início de abril, o ex-deputado discursou no Senado em uma sessão solene em alusão aos 60 anos do início regime militar. Foi sua primeira passagem pelo Congresso desde sua cassação, em 2005. Em julho, José Dirceu viajou para a China, onde visitou Dilma Roussef (presidente do Banco dos Brics), lideranças do Partido Comunista e representantes de bancos estatais. De lá, decretou para os correligionários: o Brasil precisa se aproximar ainda mais de Pequim.
No segundo semestre, o ex-ministro da Casal Civil embarcou em diversas campanhas eleitorais do PT e de partidos aliados por todo o país. Com destaque para sua participação numa caminhada em apoio a Guilherme Boulos (PSOL), no dia anterior à votação do segundo turno em São Paulo. Na ausência de Lula, ele foi o grande nome “histórico” do encontro — e o mais festejado pela militância.
Ainda em outubro, veio a notícia que faltava para o petista “liberar geral”: a anulação de todas as suas condenações no âmbito da Operação Lava Jato, determinada pelo ministro do STF Gilmar Mendes (em maio, o Supremo já havia decidido extinguir sua punição pelo crime de corrupção passiva). A última sentença de Mendes abre caminho para que Dirceu concorra a um cargo em 2026. Questionado sobre uma provável candidatura à Câmara dos Deputados, por São Paulo, o político desconversa, e diz que só vai decidir no final de 2025.
