
A secretária municipal de Saúde de Palotina, Carina Dotto, foi a entrevistada desta terça-feira (6) do programa Tudo Sob Controle, da Rádio Cultura FM 90.1. Durante a entrevista, a gestora abordou diversos problemas enfrentados atualmente pela saúde pública do município, com destaque para a falta de profissionais e os impactos diretos no atendimento à população, especialmente às gestantes.
Um dos pontos centrais foi a situação do Hospital Municipal de Palotina, que possui credenciamento na Rede Materno Infantil como hospital de risco intermediário. Esse credenciamento impõe a responsabilidade de realizar partos de gestantes de risco habitual e intermediário, além de manter plantão de sobreaviso nas especialidades de ginecologia/obstetrícia, pediatria e anestesiologia — exigência que vem sendo cumprida há mais de dez anos. No entanto, houve um retrocesso recente com a ausência de ginecologista na escala, o que tem obrigado o deslocamento de gestantes para Marechal Cândido Rondon e Toledo.
A realização dos partos em Palotina é uma responsabilidade do hospital e um direito das gestantes, respaldado por contrato firmado com a Secretaria Estadual de Saúde, que define essas atribuições. Apesar disso, a falta de profissionais tem comprometido o cumprimento do acordo.
Palotina também teve retrocessos no acompanhamento pré-natal. Antes, todas as Unidades Básicas de Saúde do município contavam com atendimento de obstetra ao menos uma vez por semana, e a maioria dos exames de ultrassonografia obstétrica era realizada na Unidade Médica de Especialidades. Atualmente, gestantes estão sendo atendidas por clínicos gerais ou encaminhadas para Toledo e até para outros municípios, como Pato Bragado e Santa Helena, além da redução na oferta de exames.
Diante desse cenário, cresce o questionamento da comunidade sobre o papel de Palotina como referência regional em saúde. Historicamente, o município atuou como polo microregional, mas, segundo as avaliações apresentadas na entrevista, a desmobilização de equipes e de estruturas tem gerado insegurança entre gestantes e famílias.
O tema já havia sido alvo de alerta no início da atual gestão, quando a vereadora Nissandra Karsten (PP) criticou e alertou sobre a saída de profissionais qualificados que residiam em Palotina. À época, a resposta pública foi de que ninguém seria insubstituível. A situação atual, porém, reforça a preocupação de que o município esteja retrocedendo, relembrando períodos em que não havia nascimentos de palotinenses em Palotina, como na gestão do ex-prefeito Dr. Elir de Oliveira (MDB).
A obstetrícia, considerada uma das áreas mais sensíveis da saúde pública, foi destacada como uma responsabilidade central da gestão municipal. O debate reforça a necessidade de planejamento, seriedade e dedicação contínua para garantir segurança, atendimento adequado e o direito das gestantes de serem assistidas no próprio município.
