A noite de segunda-feira (21) foi marcada por chuva forte e vendaval em Palotina, deixando um cenário de estragos em diferentes pontos da cidade. Árvores e muros foram derrubados e várias residências sofreram danos durante o temporal.
O episódio ocorre em um período de maior instabilidade atmosférica no Paraná. Na segunda-feira, um alerta vermelho para tempestades abrangia 214 municípios paranaenses, principalmente nas regiões Oeste, Sudoeste, Centro-Sul e parte do Noroeste e dos Campos Gerais, com previsão de chuva intensa, granizo e rajadas de vento que poderiam superar 100 km/h.
O cenário também encontra respaldo nas projeções climáticas para a primavera. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) prevê chuvas acima da média no Estado, com influência do El Niño e maior destaque para as regiões Oeste e Sudoeste.
Palotina sente os efeitos do temporal
Em Palotina, a passagem da instabilidade na noite de segunda-feira deixou marcas visíveis. Além da chuva intensa, os ventos provocaram quedas de árvores e derrubaram muros, enquanto casas foram atingidas e apresentaram danos.
O temporal reforça a necessidade de atenção durante episódios de instabilidade severa, principalmente diante da perspectiva de uma primavera mais chuvosa.
O Simepar explica que eventos de El Niño de intensidade forte a muito forte favorecem condições para a formação de sistemas capazes de provocar chuva intensa em curtos períodos, grande incidência de descargas atmosféricas, rajadas de vento e, eventualmente, granizo.
Oeste entre as regiões com maior previsão de chuva
Segundo atualização do Simepar, o El Niño está ativo desde junho no Oceano Pacífico Equatorial e deve atingir seu período de maior intensidade entre a primavera e o verão de 2026/2027. As projeções apontam volumes acima da média climatológica em todas as regiões do Paraná, mas Oeste e Sudoeste aparecem entre as áreas onde a diferença em relação à média tende a ser maior.
Para setembro, especificamente, o Simepar já projetava precipitações acima da média em todo o Estado. Historicamente, o Oeste registra entre 125 e 150 milímetros de chuva em setembro, e a previsão para 2026 indicava volumes superiores ao padrão climatológico.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também apontou para setembro volumes acima da média em áreas da Região Sul.
Primavera mantém risco de tempestades
O quadro de instabilidade não deve ficar restrito a setembro. A previsão sazonal do Simepar indica chuvas acima da média em todos os meses até dezembro, com desvios mais expressivos no Oeste, Sudoeste e Centro-Sul em novembro e na faixa oeste do Paraná em dezembro.
Com maior disponibilidade de calor e umidade na atmosfera, condições naturais da primavera que são potencializadas pelo El Niño, aumenta o ambiente favorável à formação de tempestades.
O monitoramento nacional também aponta para um fenômeno de intensidade elevada. Boletim divulgado pelo Inmet em conjunto com outros órgãos federais informou probabilidade superior a 90% de o El Niño se configurar como muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro.
Atenção também no campo
O excesso de chuva é acompanhado com atenção pelo setor agrícola. Períodos prolongados de solo encharcado podem interferir nas operações de campo e aumentar a suscetibilidade à erosão, especialmente quando grandes volumes de água caem em intervalos curtos.
Para áreas recém-semeadas, episódios severos de enxurrada também podem comprometer o estabelecimento inicial das culturas, enquanto produtores que ainda precisam entrar com máquinas nas lavouras podem enfrentar dificuldades diante da elevada umidade do solo.
Calor também ganha força
Além das chuvas, a primavera deve apresentar elevação gradual das temperaturas. Para outubro, o Simepar projeta valores dentro ou ligeiramente acima da média climatológica no Paraná. Já em novembro e dezembro, a tendência é de temperaturas acima da média em todo o Estado.
Assim, o temporal que atingiu Palotina nesta segunda-feira se insere em um período que exige acompanhamento constante das condições meteorológicas. Com a influência do El Niño e a previsão de uma primavera mais úmida, chuvas intensas, ventos fortes, descargas elétricas e episódios de granizo permanecem entre os riscos associados às tempestades nos próximos meses no Oeste do Paraná.

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