
O Brasil oficializou nesta segunda-feira (1º/12) a eliminação da transmissão vertical do HIV, ou seja, a transmissão do vírus de mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação, como problema de saúde pública. A informação consta no boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, que também mostra a maior queda no número de óbitos por AIDS em três décadas.
Dados e critérios alcançados
- Em 2024, o país manteve a taxa de transmissão vertical abaixo de 2%.
- A incidência de infecção por HIV em crianças ficou inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos.
- A cobertura de atenção pré-natal, testagem para HIV em gestantes e oferta de tratamento para gestantes com HIV ultrapassou 95%.
- Entre 2023 e 2024, o número de mortes por AIDS caiu 13%, chegando a 9,1 mil óbitos, o menor patamar em 32 anos.
- Houve redução de 7,9% nos casos de gestantes vivendo com HIV e queda de 4,2% no número de crianças expostas ao vírus.
O que motivou a virada
Segundo o Ministério da Saúde, a conquista é resultado da ampliação do acesso gratuito, via Sistema Único de Saúde (SUS), a métodos de prevenção, diagnóstico e tratamento moderno, inclusive com terapias antirretrovirais eficazes e bem toleradas, capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível.
A estratégia envolveu também expansão da testagem, profilaxia e melhoria do pré-natal, assegurando detecção e tratamento precoces para gestantes vivendo com HIV.
Significado da certificação
Com a eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública, o Brasil alcança uma meta internacional estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
O país torna-se referência regional e global na resposta ao HIV/Aids, demonstrando que políticas públicas integradas, acesso universal ao SUS, e compromisso institucional podem reverter indicadores históricos da epidemia.
Desafios e os próximos passos
Apesar da vitória, especialistas alertam que o controle do HIV exige vigilância contínua. O Brasil ainda precisa manter elevado o acesso a testes, tratamento e acompanhamento, garantir que gestantes sejam atendidas cedo e que bebês expostos recebam cuidados adequados.
Além disso, a eliminação da transmissão vertical não significa fim da epidemia: a prevenção de novas infecções entre adultos continua essencial. A ampliação de estratégias como profilaxia pré-exposição (PrEP) e o fortalecimento da educação em saúde permanecem prioridades.
A conquista marca um dos capítulos mais importantes da resposta brasileira à Aids: interromper a transmissão do HIV de mãe para filho em território nacional. A partir de agora, a luta se volta para consolidar os avanços e ampliar a proteção a toda população.
