
A recente aplicação de uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras de tilápia para os Estados Unidos já provoca impactos significativos na cadeia produtiva da C.Vale, uma das maiores produtoras do país. A cooperativa, sediada em Palotina, abate cerca de 200 mil tilápias por dia, das quais aproximadamente 30% eram destinadas ao mercado norte-americano.
O gerente industrial da C.Vale, Reni Girardi, afirmou em entrevista que a medida inviabilizou as vendas para os Estados Unidos, principal destino da tilápia brasileira, responsável por absorver 98% das exportações do setor. “Taxação de 50% não tem mercado que suporte. Esse mercado parou de existir e vamos precisar reestruturar toda a nossa cadeia produtiva”, declarou.
Segundo Reni, o prejuízo não afeta apenas a cooperativa, mas, principalmente, os pequenos e médios produtores rurais que abastecem o frigorífico. Sem alternativas viáveis de exportação no curto prazo, a produção excedente deverá ser direcionada ao mercado interno, o que pode gerar sobreoferta e pressionar os preços. “Isso pode prejudicar frigoríficos menores e produtores independentes, que vivem exclusivamente dessa atividade”, alertou.
A C.Vale mantém outros segmentos, como frango, suínos e grãos, o que ajuda a sustentar a operação da piscicultura. No entanto, Reni Girardi enfatiza que o cenário é preocupante para quem depende exclusivamente da criação de peixes. “A gente vai continuar acreditando na atividade, mas a situação exige medidas urgentes para garantir o futuro desses produtores”, disse.

