
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que a CPI do Crime Organizado será instalada na próxima terça-feira (4/11). A decisão foi tomada em entendimento com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento de criação da comissão.
Em publicação nas redes sociais, Alcolumbre destacou que a CPI terá como objetivo apurar a estruturação, expansão e funcionamento do crime organizado, com foco especial na atuação de milícias e facções criminosas. “É hora de enfrentar esses grupos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”, afirmou o presidente do Senado.
O anúncio ocorre dias após uma operação das Polícias Militar e Civil nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, na terça-feira (28). A ação, voltada ao enfrentamento de facções criminosas, resultou em mais de 100 prisões e 119 mortos, segundo informações do governo estadual.
Divergências no Congresso
A criação da CPI reacendeu o debate sobre segurança pública no país e coincidiu com discussões em torno da PEC da Segurança (PEC 18/2025), proposta enviada pelo governo federal e ainda em tramitação na Câmara dos Deputados.
O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), criticou o governo, afirmando que o Palácio do Planalto não teria atendido pedidos de apoio à operação no Rio. “O que está acontecendo no Rio de Janeiro é apenas a ponta do iceberg. Lamentamos a letalidade, mas o governo federal tem uma visão distorcida da segurança pública, mais voltada à proteção de criminosos do que aos direitos da sociedade”, afirmou.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) também criticou o texto da PEC, afirmando que o governo “quer criar uma polícia própria” e que o avanço do tráfico é consequência da “falta de política pública efetiva”.
Posições favoráveis à PEC
Na outra ponta, parlamentares da base governista defenderam a proposta e pediram a aprovação urgente da PEC da Segurança. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) classificou a operação no Rio como “a mais letal da história” e afirmou que a situação reforça a necessidade de mudanças estruturais. “Trabalhadores vivem aterrorizados com o crime organizado e as milícias. Garantir a vida e a segurança deve ser interesse de todos. A morte e o terror jamais devem ser banalizados”, disse.
O senador Humberto Costa (PT-PE) também se manifestou, criticando a atuação do governo fluminense. “A população do Rio não pode ser refém de um terror que se disfarça de combate ao crime. Enquanto a segurança colapsa, o governo estadual se esconde em discursos políticos”, declarou.
A CPI do Crime Organizado deve ser oficialmente instalada na próxima semana e terá a missão de investigar as estruturas e conexões que sustentam as facções e milícias no país, em meio à escalada da violência e às disputas políticas sobre o tema da segurança pública.

