A prevenção ao câncer de intestino ganhou espaço na pauta política e legislativa de Palotina. Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal realizada na tarde desta segunda-feira (10), deu entrada no plenário da Casa de Leis o Projeto de Lei nº 043/2026, de autoria da vereadora Nissandra Karsten (PP), que propõe a criação do Programa Municipal de Prevenção, Rastreamento e Diagnóstico Precoce do Câncer Colorretal.
A iniciativa coloca em discussão uma política municipal voltada à prevenção e à identificação precoce da doença, estabelecendo diretrizes para ações de conscientização, rastreamento e diagnóstico, observados critérios técnicos da Secretaria Municipal de Saúde e a disponibilidade orçamentária.
Prevenção como política pública
Na justificativa apresentada à Câmara, Nissandra destaca o crescimento da preocupação com o câncer colorretal no Brasil e sustenta que a identificação da doença em estágios iniciais amplia significativamente as possibilidades de tratamento.
A proposta acompanha ainda mudanças recentes nas estratégias de rastreamento apresentadas para o Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente com a utilização do teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, destinado à detecção de pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes.
Conforme consta na justificativa do projeto, o exame deverá ser utilizado como método de triagem para homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos, permitindo identificar pacientes que necessitem de investigação complementar, como a colonoscopia.
O teste é realizado a partir de amostra de fezes e, segundo os dados apresentados pela autora, não exige restrições alimentares prévias. A justificativa cita informações do Ministério da Saúde segundo as quais o método pode detectar até 92% dos casos de câncer colorretal.
Números de Palotina entram no debate
Para defender a criação do programa, a vereadora também apresenta dados locais. Segundo informações do Datasus citadas na justificativa do Projeto de Lei nº 043/2026, o câncer de intestino entre moradores de Palotina teria representado 178 internações em 2024, 126 em 2025 e 65 até maio de 2026.
De acordo com o documento encaminhado ao Legislativo, esse seria o principal tipo de câncer nas hospitalizações consideradas no levantamento, correspondendo a percentuais entre 25% e 35% das internações por câncer entre 2023 e 2026.
Os números ajudam a dimensionar o argumento central da proposta: investir na prevenção e identificar possíveis casos antes que a doença alcance estágios mais avançados.
Público estimado passa de 6 mil pessoas
Outro dado apresentado no projeto chama atenção para a dimensão que uma futura estratégia municipal de rastreamento poderia alcançar.
A população estimada de Palotina situada na faixa entre 50 e 75 anos seria de aproximadamente 6.290 pessoas, justamente o grupo etário apontado na justificativa como público do protocolo de rastreamento.
O custo estimado do FIT, conforme os valores apresentados no projeto, ficaria entre R$ 5 e R$ 20 por exame, dependendo da marca, modelo de contratação e eventual terceirização do serviço.
A implementação, porém, não seria automática para toda essa população.
Projeto estabelece diretrizes
A justificativa ressalta que o Projeto de Lei nº 043/2026 não cria uma obrigação imediata de despesa específica para o Poder Executivo.
A intenção é estabelecer diretrizes municipais para prevenção, conscientização e diagnóstico precoce, permitindo que as medidas sejam implementadas progressivamente, conforme disponibilidade orçamentária e critérios técnicos definidos pela Secretaria Municipal de Saúde.
O texto também relaciona a proposta às dotações existentes na Lei Orçamentária Anual de 2026 destinadas ao Fundo Municipal de Saúde e a programas relacionados à Atenção Básica, Vigilância Epidemiológica, Média Complexidade Ambulatorial e outras ações e serviços públicos de saúde.
Diagnosticar antes para tratar melhor
Além do impacto direto sobre a saúde da população, a vereadora sustenta que o rastreamento pode representar também uma estratégia de racionalização dos recursos públicos.
A lógica apresentada é que identificar uma alteração intestinal em estágio inicial pode permitir intervenção médica antes da evolução da doença, enquanto tratamentos oncológicos em estágios avançados tendem a exigir procedimentos mais complexos e maiores investimentos do sistema público.
Nesse contexto, o projeto busca transformar o diagnóstico precoce em uma frente permanente da política municipal de saúde, aproximando as estratégias locais das novas ferramentas de rastreamento disponíveis.
Projeto começa caminhada no Legislativo
Com a entrada do Projeto de Lei nº 043/2026 no plenário, a proposta inicia sua tramitação na Câmara Municipal e deverá passar pelas etapas regimentais de análise antes de ser submetida à deliberação dos vereadores.
Para Nissandra Karsten, a matéria possui caráter social, humano e preventivo. Na justificativa encaminhada aos demais parlamentares, a vereadora pede apoio para sua aprovação.
Mais do que acrescentar um novo programa à legislação municipal, a proposta leva para o centro do debate político uma questão diretamente ligada à saúde pública: ampliar a cultura da prevenção para que possíveis sinais da doença sejam identificados antes que o câncer avance — quando o tempo pode fazer diferença no tratamento.

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