
Na tarde de segunda-feira, 13 de outubro, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, presidida pelo senador Carlos Viana (PODEMOS-MG), ouviu Alessandro Antonio Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, por mais de dez horas. Ao final, Viana fez um forte pronunciamento,
Stefanutto foi chamado para explicar por que os descontos indevidos de mensalidades associativas a aposentados e pensionistas não cessaram mesmo diante de auditorias e denúncias já em curso. Ele presidiu o INSS de 2023 até abril de 2025. Ele negou envolvimento direto nas fraudes, alegou mudanças no entendimento jurídico e afirmações de que muitos dos lotes de inclusão foram feitos informalmente, sem parecer jurídico ou processo administrativo formal.
Até o momento, 147 pessoas tiveram seus nomes aprovados em requerimentos para prestar depoimento na CPMI. Destes, nove pessoas já foram ouvidas. As investigações já resultaram em prisões. No dia 12 de setembro de 2025, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e o empresário Maurício Camisotti foram presos pela Polícia Federal.
Também há um pedido aprovado pela CPMI para a prisão preventiva de 21 investigados, entre eles Stefanutto, ex-diretores do INSS e pessoas associadas ao esquema de descontos indevidos. Conforme as apurações da Polícia Federal e da CGU, os valores descontados indevidamente de aposentadorias e pensões somam cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
A oitiva de Alessandro Stefanutto marca um momento decisivo nas apurações da CPMI do INSS. Com depoimentos que já somam nove, convocações aprovadas para mais de uma centena de pessoas, prisões já cumpridas, e forte cobrança por responsabilidade política e moral, os trabalhos da comissão indicam que não se trata mais de dúvida sobre o que ocorreu, mas de ações concretas.
O recado do presidente da CPMI
Carlos Viana concluiu a longa oitiva de Antonio Stefanutto com uma declaração firme, citando atos administrativos assinados, alertas ignorados e concessão de benefícios irregulares. Para ele, o Brasil já sabe a verdade e exige ações concretas.
