
INTERESSE PESSOAL
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ao criticar Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mira em dois alvos de uma só vez. De um lado, se distancia do bolsonarismo radical ao apontar que a diplomacia do deputado com os Estados Unidos mais atrapalha do que ajuda. De outro, busca se firmar como voz da “racionalidade liberal” no tabuleiro nacional. Ainda assim, fez questão de não romper com Jair Bolsonaro, sinalizando que pretende dialogar com o eleitorado conservador de 2026.
DATAFOLHA
A pesquisa Datafolha sobre o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil expõe um dado relevante: a população ainda não sabe a quem atribuir responsabilidades pela crise. Lula lidera na percepção negativa (35%), seguido por Bolsonaro (22%) e Eduardo Bolsonaro (17%). Essa divisão mostra que, além do impacto econômico, a disputa narrativa está em aberto e cada lado vai explorar politicamente a versão que mais lhe convém.
PAÍSES DO G20 E BRICS
Lula, por sua vez, aposta em costuras diplomáticas para reduzir a dependência brasileira dos EUA. O movimento de priorizar G20 e Brics é estratégico, mas também revela preocupação política: o governo não quer que a crise tarifária se transforme em munição para adversários em 2026. O contato previsto com Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, é parte de uma agenda que mistura pragmatismo econômico com reafirmação do Brasil como ator global.
"VARRER PT DO MAPA"
No mesmo sábado (16), Zema lançou oficialmente sua pré-candidatura à Presidência. O tom do discurso, falar em “varrer o PT do mapa” e criticar Alexandre de Moraes, mostra que ele aposta em radicalizar o discurso para tentar ocupar o espaço deixado por Bolsonaro. Mas o risco é claro: ao atacar o STF e defender a saída do Brics, Zema pode acabar mais próximo do bolsonarismo do que gostaria, dificultando a imagem de alternativa moderada que tenta construir.
STF X BOLSONARO
O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, marca para setembro o julgamento de Jair Bolsonaro e aliados pela tentativa de golpe de Estado. O ministro Cristiano Zanin reservou oito sessões para analisar o caso, em um movimento que pode definir não apenas o futuro político de Bolsonaro, mas também o ritmo da eleição de 2026. Uma eventual condenação fragiliza o ex-presidente, abre espaço para novos nomes da direita e pode fortalecer tanto Zema quanto outros presidenciáveis.
RECLAMAÇÕES DA SAÚDE
Em Palotina, o setor de Saúde virou alvo de críticas nas redes sociais. A falta de especialistas e as filas intermináveis reforçam a percepção de desorganização, agravada pela exoneração da coordenadora administrativa do Hospital Municipal Ethiane Gleici Mariano dos Santos, sem a nomeação imediata de substituto. A crise local mostra como temas da vida prática da população, como saúde, podem se tornar explosivos a qualquer momento.
CASO DOS PNEUS
Já a denúncia do presidente da Câmara, Thiago Mostachio (PSD), sobre venda irregular de pneus na garagem da Prefeitura, resultou na exoneração do feche de gabinete da Secretaria de Obras, Sandro Guerini e na abertura de sindicância. O episódio expõe um desgaste político para a administração municipal e dá munição à oposição, que deve explorar ao máximo o caso no período pré-eleitoral.
