
O custo da alimentação no domicílio subiu 0,83% em abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com destaque para a forte alta nos preços da batata-inglesa (18,29%), tomate (14,32%) e café moído (4,48%). A escalada dos preços reflete tanto oscilações sazonais quanto problemas estruturais nas cadeias de hortifrúti e café, afetando diretamente o bolso dos consumidores brasileiros.
A batata-inglesa liderou o aumento devido a um movimento de recuperação, após meses em que os preços estavam abaixo dos custos de produção, segundo especialistas do setor. Já o tomate teve a oferta reduzida por conta da desaceleração no cultivo em diversas regiões produtoras. O café, por sua vez, segue pressionado por quebras de safra e pela queda na produtividade registrada a partir de fevereiro.
“A produtividade também caiu a partir de fevereiro, o que contribuiu para a alta nos preços”, afirmou João Paulo Bernardes, pesquisador do Cepea/Esalq. A tendência é de que os preços do tomate permaneçam elevados pelo menos até o fim de maio. Já o café moído pode registrar novas altas nos próximos meses, com estimativas de aumento adicional de até 25%, segundo analistas.
Com esses reajustes, o impacto no orçamento doméstico se intensifica, especialmente entre as famílias de menor renda, que sentem mais fortemente os efeitos da inflação nos alimentos básicos. A expectativa agora se volta para a evolução da oferta agrícola nos próximos meses e o comportamento do clima, que podem aliviar — ou acentuar — a pressão inflacionária.

