
O Brasil vive um acelerado processo de envelhecimento populacional. Segundo dados recentes do IBGE, o país já conta com 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa 15,6% da população. Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolveram o Lucas, um assistente virtual gratuito e de código aberto, voltado a oferecer suporte personalizado a idosos, promovendo mais autonomia e inclusão digital.
Desenhado especialmente para atender às necessidades desse público, o Lucas é acessível a pessoas com limitações visuais ou auditivas, combinando conteúdos em áudio e texto, com cores de alto contraste e expressões visuais marcadas para facilitar a compreensão. O sistema é ativado por comando de voz, “Opa Lucas” e executa tarefas como lembretes, consulta de temperatura e respostas a dúvidas cotidianas. “O Lucas é um assistente desenvolvido para suporte a idosos. Ele foi pensado para compreender comandos em português e realizar tarefas específicas do dia a dia, como lembretes e busca por informações”, explica Luan Trindade, estudante de Informática Biomédica e um dos desenvolvedores do projeto.
A criação do assistente envolveu uma equipe multidisciplinar da UFPR: a estudante de Ciência da Computação Luize Duarte, o próprio Luan Trindade, o professor Eduardo Todt, dos laboratórios VRI e C3SL, e o professor de medicina Vitor Last Pintarelli. A participação de especialistas em geriatria foi essencial para adaptar o design à realidade dos idosos, evitando estereótipos e sugerindo recursos úteis, como legendas em alto contraste e uma persona com aparência jovem.

O diferencial do Lucas em relação aos assistentes comerciais está na sua natureza gratuita, personalizável e transparente. O código-fonte aberto permite que familiares, cuidadores ou desenvolvedores adaptem o sistema às necessidades específicas dos usuários. “As ferramentas open-source foram escolhidas pois permitem a replicação fácil por outros grupos de pesquisa e garantem o domínio completo da tecnologia, resguardando a soberania no conhecimento e proteção de dados”, destaca o professor Eduardo Todt.
O Lucas não armazena dados pessoais dos usuários, exceto pelos lembretes solicitados, mantendo o foco na privacidade. A equipe responsável já trabalha no desenvolvimento de novas funcionalidades, como reconhecimento de objetos, detecção de quedas, organização de itens em casa e integração com robôs autônomos e dispositivos de saúde.
“A principal contribuição do Lucas é auxiliar na autonomia dos usuários, oferecendo acesso rápido a informações e apoio em tarefas rotineiras de forma eficiente e adaptável”, reforça Luan Trindade. Com o avanço da tecnologia voltada para o cuidado com a população idosa, iniciativas como essa sinalizam caminhos promissores para um envelhecimento mais ativo, seguro e independente no Brasil.


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