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Senado aprova PEC da Segurança e abre nova fase no combate ao crime
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Senado aprova PEC da Segurança e abre nova fase no combate ao crime

Proposta aprovada nesta terça-feira (3), em dois turnos, amplia a integração das forças policiais, endurece regras contra facções criminosas e estabelece novas fontes de financiamento para a segurança pública; texto segue para promulgação

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O Brasil deu um passo importante na reorganização de suas políticas de segurança pública nesta terça-feira, 3 de novembro. O Senado Federal aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, iniciativa que pretende modificar a atuação das forças policiais, ampliar a cooperação entre União, estados e municípios e fortalecer o enfrentamento ao crime organizado em todo o território nacional.

A aprovação ocorreu com ampla maioria no plenário. No primeiro turno, foram 73 votos favoráveis e nenhum contrário. Na segunda votação, a proposta recebeu 75 votos favoráveis, também sem votos contrários. Com a conclusão da análise pelo Congresso Nacional, o texto segue para promulgação, etapa que permitirá incorporar as novas disposições à Constituição Federal.

A proposta, apresentada originalmente pelo governo federal, é considerada uma das principais iniciativas de reformulação da política nacional de segurança. Seu objetivo central é estabelecer mecanismos permanentes de integração, ampliar a capacidade de investigação e repressão às organizações criminosas e oferecer maior previsibilidade ao financiamento das ações de segurança pública.

Mais do que uma mudança na legislação, a PEC da Segurança Pública propõe uma nova forma de organização institucional para enfrentar um problema que ultrapassa fronteiras municipais e estaduais: a atuação de facções criminosas, milícias e redes de criminalidade organizada.

O que muda na segurança pública brasileira?

Uma das principais alterações é a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal.

O sistema já existe na legislação brasileira, mas sua constitucionalização fortalece a base jurídica para a cooperação entre as instituições responsáveis pela segurança.

Na prática, a proposta estabelece mecanismos para que as forças policiais federais, estaduais e municipais possam atuar de maneira mais coordenada, compartilhando informações, tecnologias e estratégias de investigação.

A intenção é reduzir a fragmentação das ações de segurança e ampliar a capacidade de resposta diante de crimes que envolvem diferentes regiões do país.

Isso poderá favorecer, por exemplo, operações conjuntas contra organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e outros crimes de atuação interestadual.

Combate às facções criminosas ganha novas regras

Outro ponto relevante é o endurecimento das regras aplicáveis a integrantes e lideranças de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.

A PEC estabelece medidas que incluem restrições à progressão de regime e previsão de cumprimento de penas em estabelecimentos de segurança máxima para lideranças dessas organizações.

O texto também contempla instrumentos para atingir o patrimônio relacionado às atividades criminosas, responsabilizar pessoas jurídicas envolvidas e ampliar a proteção a denunciantes e familiares.

Essas mudanças procuram enfrentar não apenas a atuação direta das organizações criminosas, mas também suas estruturas financeiras e de comando.

A efetividade dessas medidas, entretanto, dependerá da legislação aplicável, da capacidade de investigação, da estrutura do sistema penitenciário e da atuação dos órgãos responsáveis pela execução das políticas públicas.

Polícia Federal e PRF terão atuação ampliada

A proposta também modifica atribuições de instituições federais.

A Polícia Federal terá suas competências reforçadas no enfrentamento de crimes com repercussão interestadual ou internacional, enquanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF) poderá ampliar sua atuação para o policiamento de ferrovias e hidrovias federais.

A mudança busca oferecer instrumentos para enfrentar organizações criminosas que utilizam diferentes meios de transporte e rotas de circulação de mercadorias ilícitas.

Para regiões de fronteira e corredores logísticos, como o Oeste do Paraná, a integração entre órgãos federais e estaduais poderá ter especial importância no enfrentamento ao tráfico de drogas, contrabando e outros crimes transfronteiriços.

Municípios poderão ganhar novas atribuições

Uma das novidades da PEC é a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil, destinadas ao policiamento ostensivo e comunitário.

A medida não significa que todas as cidades terão automaticamente uma nova corporação. A implementação dependerá de requisitos legais, capacidade financeira, formação profissional e mecanismos de fiscalização.

O texto prevê controle externo pelo Ministério Público e regras para evitar a sobreposição de atribuições entre guardas municipais e novas polícias municipais.

A mudança poderá ampliar a participação das prefeituras nas políticas de segurança, mas também exigirá planejamento e recursos para sua implementação.

Mais recursos para financiar a segurança

O financiamento da segurança pública é outro eixo central da proposta.

A PEC prevê o repasse de 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) aos estados e municípios, observadas as exceções previstas no texto.

Também estabelece a destinação de 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social do pré-sal para fundos relacionados à segurança pública.

A intenção é garantir maior previsibilidade orçamentária para investimentos em equipamentos, tecnologia, estrutura policial e políticas de prevenção à criminalidade.

Esses mecanismos poderão contribuir para a continuidade das ações de segurança, reduzindo a dependência de repasses eventuais. A distribuição efetiva dos recursos, contudo, dependerá das regras de execução e dos valores disponíveis.

Redução da maioridade penal fica fora da PEC

Um dos principais pontos de divergência durante a tramitação foi a proposta de redução da maioridade penal.

Parlamentares da oposição defenderam a inclusão de regras que permitiriam responsabilização penal a partir dos 16 anos, com previsão de idade ainda menor para determinados crimes graves.

O governo e parte dos senadores defenderam que o tema fosse analisado separadamente, evitando atrasar a tramitação da PEC da Segurança Pública.

Por 38 votos a 36, o plenário aprovou o encaminhamento das emendas sobre maioridade penal como propostas autônomas. Dessa forma, a redução da maioridade não integra o texto que segue para promulgação.

A decisão preserva a possibilidade de discussão do assunto em outra tramitação legislativa, sem vinculá-lo à reforma constitucional aprovada nesta terça-feira.

Governo pretende criar Ministério da Segurança Pública

A aprovação também abre caminho para uma medida anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a criação de um Ministério da Segurança Pública.

A intenção do governo é estabelecer uma estrutura específica para coordenar políticas nacionais de enfrentamento à criminalidade e ampliar a articulação com estados e municípios.

A criação do ministério, entretanto, não ocorre automaticamente com a aprovação da PEC. Dependerá de medidas administrativas e legais próprias.

O tema integra a estratégia do governo federal para ampliar sua participação na coordenação da segurança pública brasileira.

O que a população pode esperar das mudanças?

Para a população, os possíveis efeitos da PEC estarão relacionados principalmente à capacidade de transformar as novas regras em ações concretas.

A integração de bancos de dados e operações policiais poderá contribuir para investigações mais eficientes. A ampliação de recursos poderá favorecer investimentos em equipamentos e formação profissional. Já as novas regras contra organizações criminosas buscam fortalecer a resposta do Estado à atuação de facções e milícias.

Entretanto, a aprovação da emenda constitucional, por si só, não garante redução imediata dos índices de criminalidade.

Os resultados dependerão da implementação das medidas, da cooperação entre os governos, da fiscalização dos recursos públicos e da manutenção de políticas de prevenção à violência.

A ampliação das responsabilidades municipais também desperta preocupação quanto à capacidade financeira das prefeituras, especialmente nas cidades menores. Durante os debates, parlamentares defenderam que novas atribuições sejam acompanhadas de financiamento permanente.

Um novo capítulo para a segurança brasileira

A aprovação da PEC da Segurança Pública representa uma mudança relevante na estrutura constitucional destinada ao enfrentamento da criminalidade no Brasil.

Ao reunir integração policial, novas competências institucionais, mecanismos de financiamento e regras mais rigorosas contra organizações criminosas, a proposta estabelece uma base para a reorganização das políticas nacionais de segurança.

O amplo apoio registrado nas duas votações demonstra a convergência dos senadores em torno do texto final, embora divergências sobre temas específicos, como a maioridade penal, permaneçam em discussão.

Com a matéria encaminhada à promulgação, começa uma nova etapa: a de regulamentar, estruturar e colocar em prática as mudanças aprovadas.

O principal desafio será fazer com que a reforma constitucional produza resultados perceptíveis no cotidiano dos brasileiros, com prevenção à violência, investigações eficientes, respeito aos direitos fundamentais e maior proteção à população.


Fontes: Agência Senado, Agência Brasil, Folha de S.Paulo e Correio Braziliense | Megazine News

Aprovada pela Câmara na quarta, a PEC 18/2025, que integra a segurança pública, será analisada pelos senadores (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputado)
Aprovada pela Câmara na quarta, a PEC 18/2025, que integra a segurança pública, será analisada pelos senadores (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputado)

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FONTE/CRÉDITOS: Megazine News
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Arte Ilustrativa gerada pela IA (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputado)

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