
Nesta quinta-feira, 29 de maio, os brasileiros atingem uma marca simbólica: a partir de hoje, tudo o que se ganha passa a ser, de fato, para o trabalhador — até aqui, os rendimentos foram apenas para pagar impostos. O dado é do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que calculou em 149 dias corridos o tempo necessário, em 2025, para que um cidadão quite todas as obrigações fiscais do ano.
A conta considera tributos como Imposto de Renda, INSS, ICMS, IPTU, IPVA, PIS, Cofins, entre outros. É como se, desde o dia 1º de janeiro até hoje, cada real recebido tivesse ido diretamente para os cofres públicos — quase cinco meses de trabalho apenas para pagar o Estado.
O estudo mostra ainda a evolução da carga tributária no Brasil. Em 1990, o mesmo cálculo indicava que 90 dias de trabalho eram suficientes para quitar os tributos anuais. De lá para cá, a quantidade de dias cresceu 65%. “A alta carga tributária não tem sido acompanhada por uma contrapartida equivalente em serviços públicos de qualidade, o que acende um alerta para a população e os gestores públicos”, afirma João Eloi Olenike, presidente executivo do IBPT.
O levantamento também reforça a dimensão da arrecadação nacional: em 2024, a União recolheu mais de R$ 2,6 trilhões apenas em impostos. Segundo o instituto, o Brasil lidera o ranking mundial da alíquota de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), chegando a quase 29%, o maior índice do planeta.
Especialistas alertam para a complexidade do sistema tributário brasileiro, considerado um dos mais onerosos e burocráticos do mundo. Enquanto isso, seguem em discussão no Congresso propostas de reforma tributária que prometem simplificar regras, mas que ainda enfrentam resistência de setores econômicos e entes federativos.
A “Data do Impostômetro”, como é conhecida, serve como um lembrete do peso dos tributos no bolso do cidadão. E também como um convite à reflexão sobre a eficiência da gestão pública e o destino final de tantos recursos arrecadados.
