
Em um desdobramento da Operação Proteus, ex-integrantes da diretoria de uma cooperativa de Londrina, no norte do Paraná, firmaram um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público do Paraná (MPPR). O compromisso prevê a devolução de aproximadamente R$ 18 milhões desviados em um esquema de apropriação indébita e falsidade ideológica, que teria causado prejuízo a cerca de 10 mil cooperados.
Os ex-gestores confessaram os crimes e se comprometeram a restituir os valores aos cofres da cooperativa. Para garantir o pagamento, bens como imóveis, veículos e uma fazenda de 221 alqueires em Ortigueira, avaliada em R$ 17 milhões, serão entregues. Além disso, os investigados deverão pagar mais de R$ 1,9 milhão em prestação pecuniária a entidades beneficentes. Uma das vítimas, que teve seu nome usado indevidamente para abrir uma empresa de fachada, receberá indenização de R$ 75 mil por dano moral.
Segundo o Gaeco de Londrina, o esquema criminoso envolveu o desvio de recursos da venda da área de laticínios da Confepar, integrante do Grupo Cativa, para uma multinacional francesa em 2021. O desvio ocorreu por meio da emissão de notas fiscais fraudulentas em nome de empresas de fachada, registradas por “laranjas” e sem serviços efetivamente prestados. O Ministério Público reforça que a multinacional não teve participação no esquema.
A Operação Proteus já havia resultado no sequestro judicial de cerca de R$ 20 milhões, 19 imóveis e 10 veículos. O ANPP é visto como uma alternativa mais célere para reparar os danos e evitar um longo processo judicial. O acordo, considerado um dos maiores já firmados pelo Gaeco em Londrina, será analisado pela 2ª Vara Criminal da cidade.
Com a assinatura, os ex-diretores renunciaram a seus cargos e assumiram a obrigação de comparecer mensalmente em juízo para justificar suas atividades. O Ministério Público destacou que a medida representa um passo importante para a recuperação dos valores desviados e para a reparação dos danos aos cooperados.
