Um cenário preocupante vem sendo enfrentado por psicólogas em diferentes partes do Brasil e do mundo: homens que se passam por pacientes em busca de ajuda psicológica, mas que, na verdade, utilizam o atendimento como meio para praticar assédio sexual. O problema, revelado em reportagem da Marie Claire Brasil, expõe um padrão recorrente de comportamento abusivo que tem impactado diretamente a rotina e a segurança dessas profissionais.
A psicóloga e sexóloga Caroline Januário relata que recebeu uma ligação aparentemente comum, mas que rapidamente tomou outro rumo. Do outro lado da linha, um homem descrevia supostos problemas emocionais e, em seguida, passou a narrar conteúdos sexuais explícitos enquanto se masturbava. Segundo ela, esse tipo de abordagem segue um roteiro: o abusador simula sofrimento para despertar empatia e, assim, manter a profissional na conversa.
Casos semelhantes são relatados por outras especialistas. A psicanalista Andrea Calheiro identificou o assédio ainda na fase inicial de contato, ao receber um formulário de anamnese com descrições explícitas de atos sexuais. Em outro episódio ainda mais grave, suas aulas online foram invadidas por homens que exibiram pornografia e mencionaram conteúdos envolvendo abuso infantil. Diante da situação, ela precisou alterar toda a estrutura de suas aulas para garantir segurança.
Já a psicóloga Carolina Botelho enfrentou o problema durante uma sessão online. Um suposto paciente solicitou atendimento emergencial, mas, durante a consulta, passou a se masturbar diante da câmera. A profissional encerrou imediatamente o atendimento, mas relata que a experiência deixou uma sensação profunda de impotência e indignação.
Outro relato, de uma psicanalista identificada como Silvana, mostra que o assédio também ocorre fora do ambiente clínico. Após impulsionar conteúdos em redes sociais, ela passou a receber ligações de vídeo durante a madrugada, além de imagens íntimas enviadas por desconhecidos.
De acordo com as profissionais ouvidas, há um padrão claro nesses episódios. Diferentemente de pacientes reais, que geralmente demonstram dificuldade e constrangimento ao abordar questões sexuais, os abusadores agem com naturalidade e insistência, buscando ultrapassar limites desde o primeiro contato.
O fenômeno evidencia não apenas uma forma de violência de gênero, mas também a vulnerabilidade de profissionais da saúde mental em ambientes digitais. Especialistas alertam para a necessidade de criar protocolos de segurança, além de ampliar o debate sobre esse tipo de assédio, que ainda é pouco discutido, mas cada vez mais frequente.
Diante desse cenário, psicólogas reforçam a importância de reconhecer os sinais de abuso, interromper imediatamente o atendimento e denunciar os casos, como forma de proteger não apenas a si mesmas, mas também outras profissionais que podem vir a ser alvo desse tipo de violência.

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